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A Limpeza de Carcaças Grosadas pode ser vista como uma operação complementar da operação de grosagem ou como uma operação preparatória da aplicação do novo piso. Talvez por esta razão, muitas vezes não é mencionada nos fluxogramas dos processos de recauchutagem. Esta operação é por vezes designada por escarear (em inglês, skiving).
Após a grosagem, as carcaças que seguem o seu processo de recauchutagem são submetidas a uma operação de limpeza. No entanto, deve começar por se proceder a uma nova e minuciosa inspecção da carcaça para detecção de separações ou outros tipos de danos não reparáveis que implicam a sua rejeição imediata, de acordo com o estabelecido pelos Regulamentos ECE/ONU 108 ou 109.
Por outro lado, devem ser identificadas as zonas da carcaça que possuem danos que necessitam ser reparados. E aqui surge a necessidade do conhecimento, por parte do executante desta operação, do seguinte:
Desta forma, ou a carcaça segue para a área de Reparações, se necessário, ou é então limpa conforme se descreve a seguir.
Devem ser esmeriladas as falhas e os pontos ou áreas deficientemente grosadas, com o auxílio de equipamentos e ferramentas adequadas (rectificadoras de baixa velocidade, equipada com uma pedra de óxido de alumínio ou com escovas de arames ou serras), de acordo com a condição que melhor se adapta à situação identificada.
A carcaça pode apresentar danos nos cabos de reforço. Se os cabos forem metálicos, estes podem apresentar sinais de corrosão e podem estar inclusivamente partidos. Neste caso, a zona danificada deve ser cuidadosamente explorada, para verificar a extensão dos danos e o número de cabos afectados. A existência de 3 ou mais cabos com corrosão ou partidos implica a rejeição da carcaça. A reparação é possível com 1 ou 2 cabos afectados por corrosão ou cortados, desde que a extensão do dano não seja muito grande (o que depende da dimensão do pneu). Os cabos que apresentarem sinais de corrosão devem ser cortados. A extensão do dano é também um critério de rejeição.
Reproduz-se no Quadro 5 um critério seguido por um fabricante de materiais de reparação, onde os limites da extensão do dano estão definidos em função da largura da secção do pneu (considerados 4 escalões).
| Quadro 5 – Limites no número e na extensão de cabos partidos | |||||
|---|---|---|---|---|---|
| N.º de cabos partidos | Extensão, mm | Largura da secção | |||
| Camiões < 3500 kg |
Pesados | Reboques | |||
| 6.00-7.50 | 8.25-10 | 11.00-13.00 | 14.00 | ||
| 7 R-8.5 R | 9 R-11 R | 12 R-15 R | 16.5 R | ||
| – | 11 | 12-13 | 15.5 | ||
| 205/-225/ | 235/-285/ | 295/-365/ | 385/ | ||
| 1 | 80 | x | x | – | – |
| 1 | 120 | – | x | x | x |
| 1 | 140 | – | – | x | x |
| 2 | 60 | x | x | – | – |
| 2 | 80 | – | – | x | x |
| 3 | 60 | – | x | x | x |
A operação de corte de cabos metálicos deve ser executada com movimentos rápidos e ligeiros, de forma a evitar queimar a borracha e fragilizar os cabos de aço por sobreaquecimento (os cabos ficam então com uma cor azulada). Os cabos de aço à vista devem ser cobertos com cola de qualidade adequada, no mais curto espaço de tempo, para evitar a sua oxidação.
O recauchutador pode estabelecer, por sua iniciativa, um critério de reparações mais exigente, reduzindo o limite máximo de extensão dos danos para os diferentes escalões de largura da secção do pneu. Essa redução na extensão do dano pode também ser escalonada, de uma forma diferente, para as diferentes larguras de secção do pneu. É uma prática seguida por algumas empresas, no sentido de obterem uma maior margem de segurança nos trabalhos de reparação efectuados.
Devem ser removidos, com o auxílio de equipamentos e ferramentas adequadas, os símbolos e marcações que não sejam aplicáveis ao pneu recauchutado como, por exemplo:
Deve ser tomado em consideração o facto de os pneus serem do tipo simétrico ou do tipo assimétrico. Nos pneus simétricos existem marcações obrigatórias nas duas paredes laterais; nos pneus assimétricos existem marcações obrigatórias apenas na parede lateral exterior (ver a página “Inscrições Obrigatórias“).
Terminadas estas operações, a superfície da carcaça é limpa com uma escova, para remoção do pó de borracha e outros tipos de impurezas. Terminada a limpeza, o responsável pela operação deve preencher a Ficha de Identificação do Pneu, indicando também todos os aspectos relevantes observados na carcaça trabalhada; a carcaça é então enviada para a operação seguinte (Aplicação de Cola).
À operação de Limpeza da carcaça deve corresponder uma Instrução de Trabalho, onde estejam bem definidas as tarefas a executar, bem como os acessórios e ferramentas a utilizar. Por outro lado, o responsável por esta operação deve conhecer bem os critérios de rejeição de carcaças, no que diz respeito a danos não reparáveis. Para o efeito, deve ter ao seu dispor as especificações que os definem para os Regulamentos ECE/ONU 108 ou ECE/ONU 109, para que os consulte em caso de dúvida.
Os requisitos observados nesta operação correspondem ao parágrafo Nº 6.5 do Regulamento ECE/ONU 108 e ao parágrafo Nº 6.3 do Regulamento ECE/ONU 109.
